Citroen 2CV



1984 - 1990

  • O Citroen 2CV revolucionou, quando foi lançado, em 1948. Mas poucos sabem que o projecto estava pronto já há mais de 10 anos. A ideia de construir um carro simples e acessível, uma espécie de chapéu de chuva com rodas e motor que se tornasse o transporte ideal dos mais pobres, nascera na realidade em 1936 e ficara concretizada ainda antes da Segunda Guerra Mundial. E, depois do conflito, o carro que fora concebido para os ambientes rurais tornou-se adequado à crise e conquistou facilmente as cidades.
  • Citroen 2CV
    Depois do colapso da sua empresa, vítima da depressão económica, André Citroen adoeceu e morreu. Mas nem tudo estava perdido para a marca, que foi comprada pela Michelin. Dois engenheiros, Pierre Michelin e Pierre Boulanger, foram destacados para gerir os destinos da marca.
    Boulanger, então com 51 anos, acreditava que o mercado tinha necessidade de um meio de transporte muito barato e fácil de guiar e de manter. O carro tinha que ser capaz de transportar quatro adultos, todos usando chapéu, e 50kg de batatas. Tudo isto com grande conforto, mesmo nas piores estradas.
    Diz-se, aliás, com frequência que as ordens de Boulanger determinavam que o carro tinha de ser capaz de transportar um cesto de ovos através de um campo lavrado sem partir um único. E, consequentemente, foram muitos os protótipos que falharam.
    Mas a Citroen insistiu, não só porque Boulanger acreditava que um carro com essas características seria capaz de vender em grande quantidade nos meios rurais, mas também porque um mercado dessa dimensão poderia constituir uma grande vantagem para a Michelin.
    O primeiro protótipo, concebido por André Lefebvre, ficou pronto em 1937. O carro foi chamaddo TPV (Tout Petit Voiture) e tinha todas as características e soluções (até estéticas) que mais tarde tornaram o 2CV famoso.
    Mesmo assim, foi considerado muito pesado e difícil de guiar.
    Em 1939, o carro tinha já evoluído muito e estava pronto para ser lançado no ano seguinte. Mas, a Segunda Guerra Mundial foi declarada na Europa e o projecto ficou de parte.
    Há rumores de que, durante o conflito, o TPV continuou a ser desenvolvido em segredo. No sentido de poder um dia vir a competir com o "carrodo povo", o VW Carocha, que entretanto Adolf Hitler encomendara a Ferdinand Porsche.
    A verdade é que, no pós-Guerra, eram necessários carros simples e económicos e, em Outubro de 1948, o 2CV (baptizado pela sua potência fiscal) foi mostrado oficialmente pela primeira vez, embora ainda sem estar preparado para a comercialização, pois, durante muito tempo, não se soube que tipo de motor escondia o capot.
    Só um ano mais tarde o carro chegou ao mercado, provocando imediatamente uma procura intensa, que deu origem a longas filas de espera e obrigou, até, a Citroen a estabelecer critérios de prioridade para entrega, com agricultores e médicos na cabeça da lista de preferências.
  • Mecânica simples
    O chassis e a suspensão do 2CV eram um exemplo impressionante de simplicidade e eficácia. As quatro rodas estavam montadas em braços compridos, ligados a molas e barras de torsão simples.
    O motor, de dois cilindros (no TPV era de origem BMW, com 300 cc) e 375 cc, proporcionava 18 cavalos de potência e refrigerado a ar, para o tornar mais fácil de manter e de reparar.
    A carroçaria era também um exemplo de simplicidade, embora não se destacasse pela beleza das linhas. O tecto era de lona, as janelas laterais fixas, com portinholas para ventilação e os bancos podiam ser retirados para aumentar a capacidade de carga.
  • Evolução contínua
    O Citroen 2CV começou a evoluir logo um ano depois da sua entrada no mercado, com o lançamento da Fourgonnete, uma carrinha muito simples, que partilhava com o carro os painéis dianteiros, chassis e motor. Tornou-se rapidamente um veículo comercial de grande sucesso, graças à sua capacidade de carga.
    Em 1953, o 2CV começou a alargar os seus horizontes, com o início da produção de uma versão específica para o mercado britânico, que além do volante à direita tinha vidros traseiros de abrir e indicadores de mudança de direcção na frente das portas dianteiras.
    Mas, em 1958, deu-se a introdução de uma das muitas versões que tornaram o 2CV um carro de capacidade insuspeitadamente diversificadas. Foi lançado no mercado uma versão de tracção total, o Sahara, que estava equipado com dois motores, um para as rodas da frente e outro para as de trás. O carro era incrivelmente eficaz e conseguia vencer pendentes de 45 graus.
    Em 1961, o 2CV sofreu uma renovação estética significatica, na qual o maior destaque foi a substituição do capot. Dois anos mais tarde chegou o luxo: limpa-vidros eléctricos. E, em 1956, as portas dianteiras "suicidas" foram substituídas por outras, de abertura convencional.
    Em 1970. verificaram-se novamente mudanças significativas, com o motor a ser substituído pela unidade de 602 cc. Quatro anos mais tarde foi retomada a produção em Inglaterra, com o carro a ostentar já faróis dianteiros quadrados.
    O carro manteve-se no mercado sem grandes alterações até 1979, altura em que foi descontinuada a produção das versões equipadas com o motor mais pequeno, ficando em produção apenas o 602 cc.
    Até 1990 as alterações foram pouco significativas. O carro manteve-se no mercado com algumas edições especiais, com destaque para a última, o Charleston, e a produção passou, em 1988, para Portugal.
  • Derivados
    Ao longo dos anos de produção do 2CV a Citroen lançou vários derivados, alguns destinados, até, a substitui-lo, que tiveram sucesso comercial, mas bem menos tempo de vida.
    O primeiro apareceu em 1961 e foi o AMI6, mais tarde substituído pelo AMI8, em 1969.
    Mas, um ano antes, tinham surgido dois novos modelos baseados na mecânica do 2CV: o Diane, de carroçaria mais luxuosa e rectilínea, com motores de 435 e 602 cc, e o Mehari, destinado a uma utilização mais polivalente, em terrenos difíceis.
    O Mehari era muito eficaz, mesmo na areia, e dispunha de uma carroçaria em plástico e tecto de lona. Dez anos mais tarde, surgiu uma versão de tracção total do Mehari, com caixa de transferências e possibilidade de bloqueio dos diferenciais, quatro travões de disco e a roda suplente montada no capot.
  • Características técnicas

    Motor
    Distribuição---------------------------válvulas à cabeça
    Tipo--------------------------------------dois cilindros opostos
    Cilindrada------------------------------375 c.c. (1948) e 602 c.c. (1970)
    Diâmetro x Curso-------------------62x62 mm (1948) e 74x70 mm (1970)
    Alimentação--------------------------carburador simples invertido
    Potência-------------------------------18 cavalos às 3500 rpm (1948) e 29 cavalos às 5750 rpm (1970)
    Carroçaria
    Tipo--------------------------------------berlina de quatro portas
    Distância entre eixos--------------237 cm (1948) e 240 cm (1970)
    Peso-------------------------------------490 kg (1948) e 585 kg (1970)
    Performances
    Velocidade máxima----------------60 km/h (1948) e 110 km/h (1970)
    Aceleração----------------------------n/d